EI PSIU “GERAÇÃO DE MULHERES QUE FORAM CRIADAS PARA SER TUDO QUE O HOMEM NÃO QUER”, AS PESSOAS NÃO MUDAM?

pessoas mudam

Durante a semana passada vimos uma enxurrada de comentários e compartilhamentos de um texto escrito por uma blogueira do Estadão sobre uma possível geração de mulheres que foram criadas para serem tudo o que um homem não quer. Resumidamente, dizia que as mulheres atuais são muito independentes e que isso as afasta de possíveis pretendentes, pois em sua visão os homens não foram preparados para essa tal mulher.  No fim do texto ela afirma: nós (mulheres) não vamos mudar, então que mude o mundo! Enquanto lia esse texto, lembrava-me de outra frase muito ouvida e dita em nossa sociedade: As pessoas não mudam! Gostaria de saber quem foi o “grande sábio” que profanou uma barbárie dessa e ainda a disseminou por grande parte das mentes atuais. Como podemos não mudar? Vejamos.

Quando nascemos ouvimos alguns sons já conhecidos na vida intrauterina e outros tantos novos. Passamos a nos comunicar através do choro, se sentimos fome choramos, se sentimos dor choramos. Mal conseguimos ficar sentados. Não mastigamos, apenas sugamos e deglutimos o leite materno. Com o passar do tempo, a tonicidade muscular vai aumentando, conseguimos ficar sentados, em breve engatinhamos e tentamos ficar em pé. Nossos pais nos estimulam a andar, segurando nossas mãos. Os dentes começam a nascer, iniciamos a mastigação. Já arriscamos algumas palavras, a comunicação melhora. Logo nos matriculam em uma escola, começamos a nos relacionar com mais pessoas, principalmente da nossa mesma idade. Nossos amigos querem brincar de bola, enquanto nós queremos brincar de esconde-esconde, negociamos, chegamos a um consenso, um ou outro fica irritado e se afasta do grupo, fica sem brincar. Repete essa atitude uma série de vezes, até que percebe que está ficando de fora das brincadeiras e resolve mudar sua atitude, passa a brincar com todos em um determinado momento. Nossa! Quantas mudanças até aqui e olha que ainda nem saímos da infância. Depois chega a pré e a própria adolescência, sutiãs, menstruações, espinhas, orgasmos, atrações sexual e talvez mais de um milhão de mudanças que passamos nessa fase da vida. Chega o pré-vestibular. Eu mesmo durante minha infância e adolescência quis ter várias profissões: cobrador de ônibus, bombeiro e militar. Fui fazer odontologia! Não bastasse fiz pós-graduação em Cirurgia Bucomaxilofacial, depois Mestrado em Ciências, Gestão em Saúde e Gestão Empreendedora. Afe! Que salada, misturei tudo, área de biológicas, humanas e exatas. Lembro-me que durante meu mestrado, muitos diziam que o meu professor orientador era muito bravo e minha resposta era sempre a mesma, só se for com você porque comigo ele sempre foi muito atencioso, simpático e educado. Ouvia de volta: pois é, a idade amoleceu o coração dele. Veja que maravilha, poderia ser isso mesmo! Outro exemplo que vejo muito são pessoas que sofrem um grande problema de saúde, como um câncer ou um trauma, onde ficam entre a vida e a morte. Sempre ouvimos relatos de que essas pessoas mudaram da água para o vinho após o incidente.  São tantas as mudanças pelas quais passamos na vida que talvez não coubessem em um livro.

Fato é que nossa vida nada mais é do que uma grande escola, um grande processo por qual iniciamos antes mesmo de nascer e só paramos quando cerramos os olhos. Isso para quem não acredita em vida após a morte, para mim que acredito o processo de aprendizado e transformação não acaba nunca. Estamos sempre evoluindo, avançando, subindo degrau a degrau, melhorando como seres humanos, melhorando nossas relações com o próximo e com o mundo. Esse é o único papel da vida, não vejo outro. Você vê? E meninas, por favor, não se deixem rotular dessa forma, lembrem-se a vida é dinâmica e não estática, encontrar o meio termo, o equilíbrio, é tudo! Mas isso fica para um futuro post!

Christiano Cony

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