Creio que quase todos os brasileiros pararam suas atividades rotineiras ontem, para assistir a abertura da Copa do Mundo e o jogo de estreia da Seleção Canarinho.
Todos esperávamos uma cerimônia de abertura em grande estilo. Se há algumas coisas que o Brasil se sobressai em relação ao resto do mundo são festa e futebol. Muitos podem ver isso como um defeito, um problema, mas creio que não. Acho, realmente, que a alegria e boa energia do nosso povo geram essas grandezas em nosso país. Vimos uma cerimônia muito aquém da nossa capacidade, uma festa “meio murcha”, com poucos bailarinos compondo as coreografias. Quando as câmeras abriam o ângulo, nos trazendo as imagens como as que os espectadores presentes no estádio viam, víamos muito espaço vazio, nos trazendo um aspecto de “feito nas coxas”. Qualquer carnavalesco faria uma festa maravilhosa para os quatro cantos do mundo curtir e elogiar.
O ponta pé inicial que foi, ou deveria ser, o mais emocionante de todas as Copas do Mundo ficou ofuscado. A FIFA não permitiu que déssemos a importância devida a grandeza do projeto, cedeu apenas 29 segundos para que Juliano Dias, paraplégico, entrasse em campo e executasse o chute e, pela complexidade da situação, acabou saindo como vimos. “Ninguém fez uma demonstração em 29 segundos de robótica. Isso não existe em lugar nenhum do mundo. Foi um esforço dramático de todas essas pessoas que estão aqui. E nós realizamos em 16.” Desabafou o gigante brasileiro Dr. Miguel Nicolelis que desenvolveu o equipamento e permitiu que um paraplégico chutasse uma bola!
O show final da abertura contou com mais uma gigante brasileira. Cláudia Leite levantou o Brasil com seu entusiasmo e alegria e, dessa vez, ofuscou os músicos estrangeiros que inclusive, titubearam em abandonar o compromisso com o evento dias antes, como se o Brasil não fosse digno deles.
A ausência do discurso oficial de abertura, sempre realizado pelo chefe de estado e pelo presidente da FIFA, também surpreendeu a nós e ao mundo. Mesmo que a presidente, por questões políticas, optasse por não discursar, seu substituto, o vice-presidente Michel Temer, ou o substituto do substituto, o presidente da Câmara dos Deputados Henrique Eduardo Alves deveria fazê-lo. Outro fato que me chamou a atenção foi a ausência do governador do Estado de São Paulo e também do prefeito da cidade. Onde estão os chefes executivos, eleitos por nós, que não manifestaram presença em um dos eventos mundiais mais importantes em nosso país? Difícil de compreender!
Assim terminou a abertura, com uma sensação geral do tipo: Acabou? Será que tem mais alguma coisa? Uma festa totalmente contrária do que nós somos. Seria uma tentativa de diminuir o Brasil perante o mundo? De mostrar que brasileiro é infeliz, que é um povo pobre de alma, que esse é o verdadeiro Brasil? Ah, mas a resposta viria logo na sequencia, no início do jogo de abertura, após a entrada dos jogadores em campo e após o Hino Nacional da Croácia. Foi começar a tocar nas caixas de som do estádio o Hino Nacional Brasileiro para todos pararem. Nesse momento todos os brasileiros se puseram em pé, os mais de 190 milhões começaram a cantar, em uníssono, uma das letras mais bonitas do mundo. As caixas de som logo se calaram, após exatos um minuto e sete segundos, o protocolo permite tocar apenas uma pequena parte, mas como se tivéssemos combinado, ninguém parou de cantar, todos continuaram em pé com o olhar erguido ao céu, cantando mais alto, mais forte, com mais energia. Essa corrente se uniu nos quatro cantos do nosso país, como se todos nós estivéssemos, naquele momento, através de nosso hino, colocando para fora toda a nossa vontade de um Brasil melhor, mais justo, mais honesto, menos corrupto. Todos sentiram os pelos do corpo arrepiarem, olhos marejaram de lágrimas, um calor percorreu os corpos e surgiu no ar, novamente, a esperança e a alegria que quase tiraram de nós. Avante Brasil!