Trabalhar em pronto socorro público nos traz muitas reflexões sobre a vida.
Acabo de atender uma mulher com seus trinta e poucos anos, com uma bebê no colo e uma menina de aproximadamente 3 anos, suas filhas. Veio ao PS trazida pela PM, sua ficha de atendimento carimbada como agressão.
Ao perguntar o que havia acontecido ela informou que tinha sido mordida por um cachorro da raça pitbull. No primeiro momento não entendi a relação de uma mordedura canina com agressão porque, mesmo sendo uma agressão, não se relaciona a mordedura canina com a intenção racional do cachorro morder a vítima. Logo em seguida ela continuou a explicação, seu marido treinou o cachorro para atacar quem quer que seja sobre um determinado comando e ele só usa esse artifício apenas contra uma única pessoa, sua própria esposa! Ela ainda disse que essa foi a quarta vez que o cachorro, sob o comando do marido, lhe atacou.
Perguntei o porque dela ainda estar com ele e a resposta foi que ele a ameaça de morte, que ela sabe que pra ele matar não é problema, que se ela manifestar alguma forma de denúncia ele irá desaparecer e voltará em dois meses para matá-la.
O que pensar? O que falar para essa jovem sem esperança, chorosa pelo desespero de ter que voltar pra casa e continuar a viver com esse monstro? Ao término do atendimento, após uma conversa para tentar acalmá-la enquanto eu realizava a sutura de seu nariz que estava pendurado no rosto, ela me perguntou: o que fazer? Na hora só pude falar para ela conversar e pedir orientação aos policiais que estavam com ela e rezar, elevar o pensamento a Deus e pedir proteção e discernimento para a melhor tomada de decisão.
Pois é, diante dessas situações nosso coração se compadece e nosso cérebro não consegue achar melhor resposta!
Sigo meu plantão que está só começando e também elevo o pensamento a Deus rogando proteção a essa moça e essas crianças, suas filhas.
Boa noite a você que dedica um tempinho para ler meus posts. Que Deus nos proteja!
Texto publicado dia 04 de novembro na página do Blog no Facebook.